Mentira de nós mesmos

MENTIRA – do Latim mentior , “faltar à palavra dada, fingir, imitar, dizer falsamente”. Em Latim ainda, menda era “defeito, falha, descuido no escrever”, do Indo-Europeu mend-, “defeito físico, falha, aleijão”. Uma origem muito adequada, pois uma mentira é um fato aleijado, sem as pernas da verdade para se sustentar.

OCULTAR – é o que os mentirosos tentam fazer com a verdade, quando esta os compromete. Vem do Latim occultare, “dissimular, reservar, manter secreto”, formado por ob-, “sobre”, mais cellare, “esconder, tirar da vista”

Na infância, aprendemos de nossos pais e professores que não devemos mentir pois é feio, não agrada à Deus etc. Esta é a primeira mentira que ouvimos então.
Quem nunca inventou uma dor de barriga para não ir à aula? E um parente morto para não ir ao trabalho?
A mentira faz parte do nosso cotidiano. Noticiários mentem, médicos mentem, políticos mentem...a fim de que? Segundo um dos significados da palavra mentira, a fim de fingir uma situação, criar outro ambiente talvez, amenizar situações.

Mentimos num simples encontro. Estamos às vezes dilacerados por dentro e quando vemos um amigo: "Tudo bem?" "sim, tudo ótimo"
O que seria então a verdade? Dizermos tudo que sentimos, que pensamos e que pretendemos? Sem pudores, regras ou procedimentos? Impossível...

Pensando bem, a mentira não existe. Simplesmente ocultamos a verdade, ou seja, escondemos aquilo que nos amedronta ou nos envergonha, escolhemos alguns detalhes, maquiamos de lançamos ao vento.

Tá, então se ela não existe, por que então ela machuca tanto? Por que perturba tanto? Se nós próprios mentimos, até para nós mesmos, por que a mentira dos outros é pior, é mais dura, machuca mais?

Os pais e professores são muito cruéis, embutindo em nosso espírito uma esperança de que o mundo é lindo quando se fala a verdade. NA VERDADE eles deveriam dizer que a mentira faz parte de nossa evolução, que com ela aprendemos a encarar os fatos friamente, como devem ser. Que a mentira nos fortalece e a verdade nos faz acreditar que nada é verdadeiramente sincero. Sentimentos definitivamente não devem ser envolvidos nesse aprendizado.


Pena que aprendemos tudo isso na prática

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